Evangelho (Mateus 15,29-37) – Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008 – 1ª Semana do Advento
Naquele tempo, 29Jesus foi para as margens do mar da Galiléia, subiu a montanha, e sentou-se. 30Numerosas multidões aproximaram-se dele, levando consigo coxos, aleijados, cegos, mudos, e muitos outros doentes. Então os colocaram aos pés de Jesus. E ele os curou. 31O povo ficou admirado, quando viu os mudos falando, os aleijados sendo curados, os coxos andando e os cegos enxergando. E glorificaram o Deus de Israel.
32Jesus chamou seus discípulos e disse: “Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que está comigo, e nada tem para comer. Não quero mandá-los embora com fome, para que não desmaiem pelo caminho”.
33Os discípulos disseram: “Onde vamos buscar, neste deserto, tantos pães para saciar tão grande multidão?” 34Jesus perguntou: “Quantos pães tendes?” Eles responderam: “Sete, e alguns peixinhos”. 35E Jesus mandou que a multidão se sentasse pelo chão. 36Depois pegou os sete pães e os peixes, deu graças, partiu-os, e os dava aos discípulos, e os discípulos, às multidões. 37Todos comeram, e ficaram satisfeitos; e encheram sete cestos com os pedaços que sobraram.
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Comecemos orando:
Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador!
Meu Jesus, eu sou a pedra e Tua Palavra é martelo e cinzel para me esculpir conforme Teu projeto.
Senhor, se a pedra talhada pelo escultor pudesse falar, ela gritaria de dor, contudo ela não pode sair do lugar
e deixa que sua antiga forma seja modificada, lasca por lasca a cada martelada.
Ao final da obra, não há mais lembrança do formato antigo da pedra e só o que se vê é o que estava no coração do escultor desde da primeira martelada.
Quero ser assim, Meu Jesus, me esculpe até que não se veja mais nada do homem velho em mim, que o meu ser se torne reflexo do Teu Amor por mim.
Mais uma vez me coloco agora sob o cinzel da Tua Palavra.
Jesus, eu sou teu, transforma-me como quiseres.
Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador!
Nesse episódio vemos três personagens e cada um deles tem lições para nos ensinar:
A multidão
Se realmente estamos convencidos de que precisamos de Jesus, então O buscaremos, O seguiremos.
Para seguir Jesus temos que estar dispostos a ir aonde o Ele estiver, temos que ter coragem de segui-Lo até o deserto.
Esse deserto, representa que abdicamos de toda segurança humana, que deixamos os caminhos seguros e familiares para nos arriscar na aventura de nos encontrar com Jesus.
O deserto significa esvaziamento de si mesmo, de todo nosso saber, segurança, desejos pessoais, planos e comodidades.
A multidão para seguir Jesus se viu, ao final de três dias de caminha e fome, no meio do deserto à noite. Tão fracos estavam que podiam desfalecer pelo caminho.
Nesse momento é que Jesus age, quando renunciamos ao controle da situação e ficamos totalmente dependentes, é que Ele age e manifesta mais uma vez o Seu amor por nós.
“Por isso a atrairei, conduzi-la-ei ao deserto e falar-lhe-ei ao coração.” (Oséias 2,16)
Peçamos a Deus a graça de saber o quanto precisamos de Nosso Jesus e que sempre vale à pena segui-Lo.
Nosso Jesus
É maravilhoso perceber que mesmo depois de fazer cegos ver, coxos andar, surdos falar e muitos outros milagres, depois de a multidão ter ouvido às Suas Palavras de Vida durante três dias, Jesus ainda se compadece da multidão porque eles estão com fome.
Jesus se compadece do homem todo, inteiro, em todas as suas necessidades; Ele quer nos curar e saciar em todas as áreas de nossas vidas.
“Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância.”(João 10,10)
“Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos?
São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso.
Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.
Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias.
A cada dia basta o seu cuidado. ” (Mateus 6,6)
Jesus quer nos curar por inteiro, mas não admite ser buscado apenas para satisfazer nossas necessidades, sejam elas espirituais ou materiais.
Temos que querer de verdade nos encontrar com Ele, e só nesse encontro é que Ele nos curará.
Os apóstolos
Mesmo estando com o Mestre e vendo todos os milagres e prodígios, mesmo servindo-O e realizando milagres em Seu Nome, os apóstolos ainda confiavam em sua própria capacidade e limitavam a ação de Deus à ela.
Quando interpelados por Jesus eles respondem com um “Não dá ! Não temos condições ! Onde é que vamos arrumar tanta comida?”
Quantas vezes Jesus partilha conosco a Sua dor, pede nossa ajuda e nós respondemos igualzinho aos apóstolos ?
Esquecemos que “Dele, por ele e para ele são todas as coisas” (Romanos 11,36).
Nos firmamos mais na nossa incapacidade do que na capacidade de Deus.
Temos que nos acostumar a viver esse mistério de que a ação de Deus começa onde nossos meios terminam.
Se Ele nos chama, Ele nos dará tudo o que necessitamos para atender o Seu chamado
“O poder divino deu-nos tudo o que contribui para a vida e a piedade,
fazendo-nos conhecer aquele que nos chamou por sua glória e sua virtude.” (II Pedro 2,3)
Mas se não nos dispusermos a dar o nosso pouco, a oferta da viúva, o tudo em nossa pobreza, a obra de Deus não acontecerá em nossas vidas.
“Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti” (Santo Agostinho)
“Dá o teu sangue, e Deus te dará o seu Espírito.” (Dito dos padres do deserto)
Esqueçamos as nossas frases padrão que utilizamos para dizer a não a Deus sem pesar muito na consciência:
Onde o Mestre está?Onde Ele estará? É seguro lá?Existe comida suficiente? Conhecemos o caminho de volta ?E se eu desfalecer pelo caminho ?
Não posso! Não sei fazer nada! Sou indigno! Não sei se terei tempo! Tenho muitas obrigações !
E digamos SIM ao chamado de Deus!